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making of de um documentário na zs de sp

5/31/2004

Um salve pro Paulo Magrão 

Ele ta fazendo a festa...

1 vez por mês tem filme, projetado no muro.
E, agora, show na rua.

Cada um, cada um 

"Eles têm a mesma situação que eu... Eu não vou deixar os meus filhos passar fome como eles não vão deixar os filhos deles passar fome... "

TV 

"Essa história que a gente vê na televisão... arranca dinheiro daqui, dali... É sempre os maiorais... Isso revolta você.. Então, a gente vai pro sistema..."

Centro 

"Eu tiro a cidade assim... eu vou lá pra buscar o meu pão de cada dia, pra trazer pra cá...
E assim a gente vai vivendo"

Rap 

"O rap foi fundamental para eu mudar. Eu era um cara revoltado. Só queria saber de roubar.
O rap fala muitas coisas que é realidade, que tem milhões de pessoas que tem por aí que não gosta de ouvir, mas é a pura verdade, a pura realidade dos acontecimentos do dia a dia."

Quando todos se entendem 

Teve de tudo na festa: forró, cartazes produzidos por rastafaris pedindo paz, tranças, pintura no rosto, grafite, violinos, coral (orquestra Guri) e rap: Mano Brown, Trilha Sonora do Gueto, Conexão do Morro.

Mês que vem tem mais...

5/28/2004

0,01 da população brasileira é dona de 40% de todo o PIB do país 

50 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza...
As taxas de juros são as mais altas do planeta.

E alguém ainda duvida que a revolução já começou?
É só experimentar abrir os vidros nos faróis.
A realidade entra em dose galopante!

zs X zl 

Na música, a zl e a zs se entendem.
Mas pro Estado, a coisa complica.
Por que será que o metro só vai para a zl? na zs o metrô é piada. Só atravessa a ponte.
Por que tem mais CEU na zl?
Telecentro também.
Tenho umas idéias sobre o assunto, mas nenhuma conclusiva.

Mais um mano morreu 

Levei na casa do Cobra uma foto que eu tirei na festa do primeiro de maio.
Das seis pessoas que estão na foto, uma ta presa e outra morreu.
Não com nove, mas com três tiros.

5/26/2004

Prisão na Suécia 

É incrível, mas lá acreditam e investem em recuperação.
Peguei esse link aqui

Festa do Primeiro de maio na zs 

Custo: zero.
Apoio da prefeitura: nenhum.
A brincadeira: corrida de pneus.
Os prêmios: bonés.
A principal atração: um microfone.
A música: rap.
O festeiro: Paulo Magrão.

Sábado tem mais: desta vez com shows do CDM, Mano Brown, etc etc.

Ontem na mãe do Cobra 

"Antes, se um vizinho via uma criança fazendo bagunça na rua, ele podia dar um corretivo. Hoje, ele corre o risco de levar um tiro da criança.
Se o tiro não vier na hora, pode vir daqui dois ou três anos. É só uma questão de tempo."

Chegou uma hora... 

... que era melhor ir direto ao ponto:
- com que idade você viu uma pessoa morta por tiros pela primeira vez?

Você conhece alguém que morreu de doença? 

Essa pergunta rendeu mais de meia hora de histórias. Todas de assassinato.

Bem no final, os dois lembraram de um primo que morreu de aids e um "zé povinho", de alcoolismo. E perguntaram: será que vale como doença?

CEU no Capão? 

A prefeita bem que tentou ser esperta. Construiu um CEU no Campo Limpo e deu o nome de Capão de Redondo.
Ninguém gostou. E ela teve que voltar atrás.

Sintoma típico de alguém que acabou de sair da cadeia 

Ficar "paralisado" diante de uma maçaneta.

5/24/2004

Carta aos irmãos Walter e João Moreira Salles - e-mail enviado pelo Gilson (Gil) ao blog  

Poucas vezes na história do Brasil, alguém da elite econômica demonstrou tanta preocupação com os excluídos e a desigualdade econômica, como fica patente nos filmes dirigidos por vocês.
Será que esse fato raro não deveria servir de incentivo para vocês fazerem alguma coisa de relevante pelo Brasil?
Não que os filmes que vocês fazem, não tenham importância. Mas talvez vocês sejam, hoje, no Brasil, as pessoas com mais condições de promover uma transformação real no país.
Como vocês sabem, os juros do governo não são o único vilão do Brasil. Por sinal, se eles fossem praticados pelas instituições financeiras, o país estaria em situação bem melhor.
Vale lembrar, inclusive, dos lucros astronômicos que os bancos vêm obtendo, num momento em que o desemprego e a pobreza só crescem.
Antes que me considerem ingênuo, gostaria de lembrar do exemplo do Banqueiro dos Pobres.
Certamente vocês leram esse livro, que retrata a experiência do economista Muhammad Yunus e sabem que o ceticismo é a primeira barreira para qualquer mudança.
Com muito menos do que um banco com a penetração do Unibanco, o banqueiro dos pobres colaborou para que 2,4 milhões de pessoas saíssem da linha de pobreza em Bangladesh.
E isso sem abrir mão de lucro e crescimento.
O que mais chama a atenção na experiência do banqueiro dos pobres é que com criatividade e vontade é possível encontrar caminhos impensáveis pelo ceticismo.
Por exemplo: em um país onde as catástrofes naturais são comuns, como Bangladesh, quando acontece uma tragédia com um cliente - como perder a casa em um temporal - ao invés de cair em cima, o banco oferece um segundo empréstimo para a reconstrução da casa. E só depois de refeito do prejuízo, o cliente recomeça a pagar o primeiro empréstimo.
Um procedimento simples que faz toda a diferença na vida de uma família.
Aliás, como vocês retratam em filmes, ser tratado com respeito e consideração é fundamental para ajudar a diminuir o sentimento de exclusão, o mais destruidor de todos. E, por conseqüência, o principal motivador da violência, junto com a baixa auto-estima.
Vocês nem precisariam abrir mão de realizar filmes. Bastaria contratar a consultoria de alguém do calibre do banqueiro dos pobres, disposto a apostar na criatividade, e levar as idéias para o banco.
E, claro, usar o poder que só os maiores acionistas do banco que mais cresce no Brasil têm em mãos.

5/23/2004

Varal no Carandirú 



Alguns presos lavavam suas roupas a céu aberto e penduravam perto da muralha

Dia de futebol 


Dia de futebol no Carandiru

5/21/2004

Um salve para o Paulão 

Quando o pai do Cobra foi embora de casa, coube ao Paulão, o irmão mais velho, ir atrás do sustento da família.

Super gente fina, o Paulão é fã do Raul Seixas e do Eric Clapton. Mas fã mesmo. Sabe tudo, ouve tudo, lê tudo que sai sobre eles.

Um dia o Guilherme ganhou um ingresso para um show do Eric Clapton, que ia ser no Pacaembu. Deu para o Paulão.

Foi uma operação de guerra. O Cobra veio com o Paulão até o centro.

Sim, como o seu Otacílio fala - alguns posts abaixo - trabalhar duro, pegando no pesado, muitas vezes significa não ter tempo para conhecer São Paulo.

Apesar do Paulão já ser homem feito, mal conhece o centro e não estava muito por dentro do caminho.

O Célio - o taxista da equipe - pegou o Paulão no centro e levou até o Pacaembú.
No bolso, o Paulão levava um papel com o nome da rua e do ônibus que ia pegar na saída do show para casa.

No dia seguinte, às cinco da tarde, o Paulão ainda tava de pé.
Ele tinha medo de dormir e passar a emoção que ele estava sentindo.

Salve, Paulão!

5/19/2004

Com a palavra, Fúria Negra 

"O pessoal da periferia tem sangue no olho, tem vontade, mas não tem oportunidade."

Fúria Negra 

"Meu nome é Sergio Luciano de Oliveira, codinome Jofrinho Fúria Negra, tenho 30 anos. Estou entre os 10 melhores do mundo, atual campeão brasileiro, na categoria super médio. E aspirante a campeão mundial.
Mas ta faltando alguém que acredite em um guerreiro da periferia."

Quando o Fúria Negra luta, o rap comparece em peso.

Um mecânico da área, fã do lutador, freta um ônibus e leva os amigos.

Da zs pro México 

Douglas dos Santos Oliveira joga futebol no México.

Ao contrário de muita gente que faz sucesso e se manda, sempre que dá ele vai visitar a família na zs.

"Eu gosto daqui. Aqui que eu me criei".

seu Otacílio 2 

"O cidadão que trabalha 30 anos numa firma, ele fica escravo da firma. Ele não sabe fazer mais nada, ele não conhece São Paulo."

TV  

"O nosso Deus não é o mesmo do Gugu, da televisão. É outros Deus"

Sem perder o bom-humor 

Seu Otacílio foi juntando madeira e agora faz esculturas.
Já fez um policial rodoviário e um ET.

"O ET ta triste. Fica o dia todo olhando para a rua para ver se a esposa vem."

Violência 

"Muitas vezes a gente tem que ser violento com a gente mesmo, porque a zona sul é assim. Violenta. Precisa correr atrás do prejuízo."

Sair da cadeia... 

... "é como tirar uma jamanta das costas".

Às vezes pode ser ainda pior 

M tem pouco mais de 10 anos e já sabe muito sobre a vida.

O pai bebe e bate em toda a família.

M e os irmãos se revezam à noite, na vigia da casa.
Cada um dorme no máximo 2 horas.

Para piorar, M deve $ para traficantes. E deu um pega num sujeito achando que era estuprador. Depois, descobriu que tinha se enganado.

Mesmo assim, M ainda tem esperança na vida. Acha que vai conseguir sair dessa e ter uma vida limpa.

Tanta força vem, entre outras coisas, da música. Ele frequenta a posse de um grupo de rap da zs, que ensina Hip Hop para crianças como M.

Bandido "sangue bom"... 

... sempre tem em mente o que vai roubar.
Nunca sai por aí à toa.

5/18/2004

Na cadeia, mas conectado com o mundo... 

Blog do Dexter.
Autor do "Oitavo anjo".

Morreu mais um mano... 

Não com um, mas com nove tiros nas costas.

Diário de um Detento 

Entre as centenas de cartas e textos que escreveu, J (Jocenir) fez a poesia que deu origem à letra da música "Diário de um Detento".

A história cresceu e virou livro.
Vale a pena ler!

Fazendo a coisa certa 

Quando J foi preso, seus filhos estudavam em escola particular, só andavam de carro... Tinham vida de "playboy".

Perderam tudo.

Durante as visitas, descobriram que o pai, que tinha acabado de se separar da mãe dos dois, tinha outra mulher, grávida.

Mas nem os filhos, nem as mulheres, abandonaram J.


Ele fez tudo tão bem feito, que os filhos têm o mesmo orgulho e a mesma admiração pelo pai, que tinham há oito anos atrás, quando J foi para a cadeia.

J 

Ele é não é da zs.
Mas teve uma trajetória ímpar, aos olhos do Brasil.

De classe média, foi preso no lugar do irmão.

Uma vez na cadeia, viu que o único caminho possível era escrever: poesias, contos e, principalmente, cartas.

No meio do caminho, enverdou por outro caminho, ainda: conhecer a fundo quem eram, afinal, aqueles caras que estavam pagando junto com ele... Aprendeu coisas que achava impossível ali: lealdade, ética e outros valores que não eram muito frequentes no seu dia-a-dia de empresário.

Hoje, J não tem dúvida. Seus melhores amigos moram na periferia.

Cada um, cada um...

O único órgão do governo que sobe o morro... 

... é a polícia.
E mesmo assim, só para prender, matar ou buscar "defunto".

Responder chamada para evitar morte, nem pensar...
Só depois que o estrago ta feito.

A revolução não será televisionada... 

... como lembra mano Tupi Namba.

O negócio é se ligar!

Depois da ponte 

5/16/2004

zs X centro 

"Quando eu vou ao centro, eu me sinto um estranho. Eu só vou lá quando eu tenho dinheiro..."

Com a palavra, X 

"Hoje eu tenho o que a sociedade alta tem. Não tudo. Mas um pouco, que eu tirei deles, pra ter quase igual a eles.Eu almoço no mesmo lugar que eles, eu janto no mesmo lugar que eles."

Conexão do Morro 


DJ La, Cobra e Cachorrão

Dois meninos 

5/13/2004

Como nós fizemos? 

Bancamos!
E não é para isso que serve trabalhar? Gastar no que a gente quer fazer, gosta de fazer?

O $ do documentário 

Não teve patrocínio nenhum para as filmagens!
Um pouco, por incompetência nossa, de não tentar todas as possibilidades.
Um pouco, por causa do desinteresse das empresas pelo assunto.
Um pouco, por causa de politicagem dos "cabeças" de um prêmio de uma Fundação.
E muito, mesmo, porque a gente queria que fosse assim: do nosso jeito, no nosso tempo e sem nenhum compromisso com leis, fundações e empresas.
Fico feliz de não ter me associado a tanta "merda" que eu vi nas nossas andanças por aí.

Só no final, depois de todas as filmagens, uma TV (que não é do governo) entrou com uma ajuda para a edição.

Depois da visita 

"É como você se despedir de uma pessoa que vai pra muito longe, que você vai ficar 2, 3 anos sem ver. É um aperto muito grande. A semana não passa.
Você vê, hoje é quarta feira e eu não fui nesse final de semana... então vira uma eternidade...
Você fica preocupada. O que está acontecendo, como ele está...
É uma eterna despedida... você fica ali, até que os funcionários batem o portão..."

Campinho 



Com o apoio do CDM e a ajuda do pessoal da área, esse barranco virou um campo de futebol, com vestiário.

Cobra 

Em dia de visita... 

Preso não usa regata, camisa transparente, chinelo, bermuda...
A camiseta tem que estar abotoada até em cima... Se vai coçar a perna, não pode aparecer o pêlo...
E jamais olha para a mulher de outro preso.

Cada um, cada um... 

"Eu não me julgo ladrão, eu me julgo administrador do dinheiro dos outros."

Contrariando as estísticas 

Todo jovem que vive mais do que 30 anos, se considera um sobrevivente.

Cobra... 

"Eu falo numa música que tem que trabalhar e deixar de ser notícia..."

O que é mais importante? 

"Emprego. Uma pessoa sem trabalho fica humilhada, vendo os filhos passar fome sem poder fazer nada.
Mas se tem emprego dá um jeito em tudo. Se não tiver vaga para os filhos na escola, coloca numa escola paga"

FF durante as filmagens do clip do 509-E 

5/12/2004

Para muita gente, o Poupa Tempo é o grande "teste de fogo" 

Do hospital, o Led foi direto para a cadeia.

Anos depois, quando já estava na rua, ele achou que a situação com a lei já estava regularizada e foi tirar um documento no Poupa Tempo.

Começou a demorar... Ele viu uma movimentação estranha... Não deu outra. Foi direto para a cadeia. Ainda faltava pagar por um outro roubo.

E essa história é só um exemplo...

Nunca ouvi tanta gente falando e se preocupando tanto com o Poupa Tempo.

X 

Quando os presos chegavam no Carandiru ficavam nessa cela, provisória; sem cama, nem nada. Só tinha um "reservado" com um buraco e água escorrendo.

Para ir para um X "definitivo" os presos tinham que negociar com os donos (sim, as celas tinham donos).

A melhor opção era encontrar um amigo, que já estivesse "acomodado".

O silêncio vale a vida 

Outro dia, mesmo, uma vizinha da mãe do Cobra, mãe de 4 filhos, morreu.
Falou demais.

As crianças, que estavam na sala, só viram pedaços do cérebro da mãe voando.

Foi uma morte anunciada. O bairro inteiro já sabia que isso ia acontecer.

O assunto do dia nas favelas 

Na sapatinho, eles se deram bem.
E ainda conquistaram manchetes em todos os jornais.

ONG 

A realidade de "lá" é bem diferente... Mas vale a pena ler o livro "Sorria, você está na Rocinha" para ver como as ONGs se transformaram em um grande negócio, inclusive para os favelados.

5/11/2004

Sufoco 

Fico só imaginando o sufoco que passam as crianças que participam das atividades dessa Fundação...

Antes de pegar pela primeira vez numa bola ou em um livro, elas precisam "aprender" que elas não são pobres, nem vivem na favela.

Então, tá. 

Fui em uma reunião em uma dessas Fundações que tinha umas 20 pessoas, entre economistas, pedagogos e sei lá mais o que.

Das duas horas que durou a reunião, uma foi dedicada a colocar pontos nos is.

"Bom, mas e as crianças pobres..."
"Não existe criança pobre. São menores temporariamente desprovidos de oportunidades..."
5 minutos depois, você esquece e manda outra...
"E as meninas que vivem no orfanato do padre tal..."
"Não é orfanato, é abrigo... E elas estão lá apenas temporariamente".

Bem que podiam distribuir um manual, uns dois dias antes de reunião, para todo mundo chegar afiado...

Não é tão simples assim entrar em um universo tão cheio de "temporalidade".

Salvando o Brasil 

Um pouco antes da gente começar o documentário, várias empresas adotaram um marketing "social".

Fiz dezenas de roteiros para vídeos falando sobre esse assunto: empresa cidadã, oferecer oportunidade para quem não tem etc e tal.

Uma postura bastante discutível, a começar pelo discurso.

Criança pobre, favela, miséria... Tudo isso é palavrão.

Essas empresas e fundações - que vieram na rabeira dessa "consciência social" - vivem em um mundo "incrível", em que as "pessoas temporariamente desprovidas de oportunidades" são gente "muito interessante". Basta ir lá, dar um pouco de esporte, ler uns livros, que fica todo mundo feliz.

Mas de preferência, que elas fiquem "lá longe" e apareçam só nos vídeos e folhetos.

L 

L tinha acabado de fugir da Febem.

Ele tinha mil planos (não sei se legalmente possíveis): esperar completar 18 anos para limpar o nome e tentar a vida fora do crime. O grande incentivo era o bebê que a namorada disse estar esperando.

Menos de um mês depois, L ficou sabendo que não tinha bebê nenhum.

Hoje, ele está preso no cadeião de Pinheiros.

Carandiru 

5/10/2004

Vermelho dos olhos 

"Um favelado pode estar vestido de ouro em uma festa. Mas o olho denuncia. Tem alguma coisa diferente... As pessoas logo vão perceber que ele tá com a roupa errada, no lugar errado".

Nem todos são iguais 

Uma das primeiras coisas que a gente percebeu na zs é que existem ladrões e ladrões.
Os respeitados...
Os "pé de galinha"...
"Pé de pato"...
"Drogados"...
E por aí vai...

A pior coisa do crime... 

... "é você pegar um dinheiro que no fundo, no fundo, você sabe que não é certo".

Cidade Alerta 

O Jornal Nacional do movimento.

2 mil reais... 

... é o valor do salário que faria um ladrão, com "alto" faturamento, trocar o crime por um trabalho.

5/07/2004

A volta para a cadeia - 2 

O D - sobrinho do Cobra que eu acompanhei, quando ele voltou para a cadeia depois da páscoa - acabou de me ligar. Ele vai passar o dia das mães em casa.

Hoje, eu li que 7% dos detentos de uma cadeia em São José dos Campos, que saíram na Páscoa, não voltaram. Achei um número bastante animador. Isso significa que 93% estão pelo menos dispostos a tentar a vida fora do crime.

O D é um deles. Continua firme no propósito de cumprir a pena até o fim. E depois tentar voltar a estudar e trabalhar.

Sem ajuda, essa missão é quase impossível.
Quem contrata uma pessoa com passagem pela cadeia?

5/06/2004

Livros, Palmeiras etc etc. 

Rola de tudo numa conversa na favela: política internacional, guerra, terrorismo, impostos, deputados e senadores (com nome e sobrenome) etc etc.

Os livros correm de mão em mão.

Ah, e nem todo mundo é corinthiano.

Na nossa equipe de filmagem, por exemplo, só tem palmeirense.

Led 

Led teve uma vida tranquila até os 15 anos, quando o pai morreu.
"Aí caí na vida". Começou a cheirar, se viciou e entrou para o crime.

Um dia quis sair à noite e estava sem dinheiro. Fez um acordo com um amigo. O cara emprestou 100 dólares, que ele iria pagar com um carro roubado. Detalhe: o carro tinha marca, ano e cor.

O tempo ia passando e nada dele ir atrás do carro. Ele conta que comçou a sentir um medo estranho, que nunca tinha tido.

Um dia não teve jeito. Foi para o centro roubar o carro. Na volta, ao tentar fugir de um carro de polícia, bateu em um ônibus.

Ficou estatelado no meio da rua. Um policial veio, mirou bem e acertou um tiro no meio das costas do Led.

Led ficou paraplégico, foi preso e pagou pelo crime.

Anos depois, o policial, que deu o tiro, foi preso por assalto a banco. Na cadeia, virou protestante. E quando saiu foi atrás do Led para pedir perdão.

O que acabou acontecendo em cadeia nacional, no Fantástico.

Lei do silêncio 

Para quem frenquenta a cadeia ou já parou para pensar no assunto, isso pode parecer besteira de tão óbvio.
Mas para mim teve o efeito de uma ficha que cai.

Um preso só comenta sobre os crimes pelos quais ele está pagando. Óbvio. Esses todo mundo já sabe e ele já foi condenado.

O problema é quando começa a cair condenação...
Quando eu e o Maurcio conhecemos o Y, ele "só" tinha roubado um banco. Algum tempo depois, ele tinha tentado matar uma pessoa. E depois, furtado um carro.

Isso tudo sem ele colocar os pés para fora da cadeia.

No sapatinho 

Ladrão que rouba sem prejudicar ninguém, merece total respeito.

Melhor ainda, se for "no sapatinho"...

Entra, rouba, sai e ninguém nem percebe. Só o banco se dá conta do prejuízo.

Mulher de bandido 

"Para todo mundo eu era mulher de bandido. Não importava se o FF tinha culpa, não tinha, o que ele tinha feito.
E importava menos ainda o que eu pensava disso tudo"

Festa na fila 

A Cidinha conta que ficou surpresa quando chegou na fila para visitar o FF no Carandiru. Encontrou várias amigas, que estavam indo visitar os namorados e maridos que estavam presos. Foi uma festa.

O acordo era o seguinte: quando elas se encontravam na cadeia, conversavam sobre tudo. Quando se encontravam na zs, só se cumprimentavam e com total descrição.
Nunca tocavam no assunto cadeia.

5/05/2004

FF e Cidinha - 2 

Para quem acompanhou a história do FF e a "guerreira", eles não estão mais juntos.
A preventiva do FF era de 20 anos (sim, um absurdo!!!) e a Cidinha não aguentou esperar...

Ele foi absolvido por juri popular, graças a intervenção do Suplicy, oito anos depois...

Hoje, ela mora no interior com os filhos. Ele casou e teve um filho há um ano.

Hoje, o Cobra veio aqui... 

Foi "louco"... Mais novidades quando ele começar a usar a senha....
Ele vai escrever aqui.

5/03/2004

"O assalto é a lei da surpresa" 

"Pode ser o maior bandido mundo. Mas se eu pego desprevenido, já era. Quem manda é quem chega na surpresa"

Algumas imagens falam mais do que muitas palavras 

A volta da guerreira 

Dez meses depois do FF ser preso, a Cidinha resolveu fazer uma visita.

"O FF colocou meu nome no rol. Na primeira vez, não entrei por causa da saia... na segunda vez, por causa do salto..."

Finalmente, ela conseguiu entrar. Era véspera de carnaval. "Eu tremia feito uma vara verde... A minha filha caçula saiu correndo... Ela sabia onde o pai tirava cadeia"

FF olhou para a Cidinha. A Cidinha olhou para o FF. E os dois se beijaram.

Essa história também faz parte do documentário.

As holandesas e as guerreiras 

"As holandesas são as mulheres que não visitam com a frequência que deveriam. E as guerreiras são as que estão ali, que ralam com o cara, de madrugada, na tristeza e na alegria".

Dez meses depois de ser preso, FF terminou com a "holandesa".

FF e Cidinha - 1 

Quando FF e Cidinha se conheceram, ela tinha 13 anos e ele, 17.

Um ano depois ela ficou grávida e eles foram morar juntos.
Ela trabalhava num salão de cabelereiro e, ele, na Coca-Cola.
Juntando o décimo-terceiro dos dois, mais as férias, eles compraram uma casa.

Alguns anos depois, quando ela ficou grávida pela segunda vez, eles se separaram.

As duas meninas ficaram morando com o pai.
"Eu deixei porque ele sempre foi um pai atencioso".

Logo FF conheceu outra mulher a casou.

E assim ia a vida, até que um dia, a Cidinha recebeu uma mensagem no bip falando para ela ir correndo pegar as filhas...

Na hora, ela percebeu que era alguma coisa séria.
Só que ela só conseguiu sair no final no expediente.

Quando abriu a porta da casa das filhas, deu de cara com a televisão ligada no Cidade Alerta.

Foi assim que ela ficou sabendo que o FF foi preso, acusado de tentar raptar um primo durante uma audiência no Fórum.

Cada um se vira como pode 

Brasil X Iraque 

Segundo o IBGE, as taxas de homicídio no Brasil cresceram 130%, com cerca de 30 mil vítimas por ano.

O triplo da guerra do Iraque.

"Sorria, você está na Rocinha" 

Vale a pena ler o livro e conhecer a versão do autor, Julio Ludemir, sobre a guerra na Rocinha.

"A questão é bem complicada, porque a Rocinha é o maior ponto de venda de drogas do Rio. É preciso minimizar a hipocrisia. É inacreditável quando a própria polícia ressuscita o Dudu, acusando o Lulu de entregar o Sombra, braço-direito do Fernandinho Beira-Mar. Eles achavam que iam provocar uma ruptura no CV, e olha o que aconteceu."

Fotos no Carandiru 

No Carandiru tinha um fotógrafo "oficial".
Um preso, que tirava as fotos, e mandava revelar fora, com a "ajuda" das visitas.




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