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making of de um documentário na zs de sp

8/26/2004

Pirataria 1 

Para "combater" a pirataria, as gravadoras tiveram a velha idéia brilhante de aumentar os preços dos CDs.

Os Racionais, com a elegância de sempre, deram uma resposta mais, digamos, "racional": lançaram um CD com o preço sugerido em letras garrafais na capa.

1 preço mais do que razoável para um CD duplo.

Pirataria no mundo ocidental 

Cópia é crime.
Plágio é motivo para processo.
Blogueiros entram em pânico quando descobrem que alguém "roubou" uma frase ou uma foto.
Músicos vão à TV apelando aos consumidores para não comprar discos piratas.

Viva a internet que está balançando as estruturas, colocando tudo no seu devido lugar:
ego é ego
interesses econômicos são interesses econômicos
E as idéias estão aí, no ar. ou melhor, na rede.

Cópia na China 2 

Recentemente, uma companhia americana de automóveis ficou indignada com uma marca chinesa, que copiou um carro dessa empresa.

O carro chinês era muitas vezes mais barato.

Na dúvida entre processar ou não a empresa chinesa, a companhia americana optou pelo silêncio.

Não queria perder os milhões de cosumidores chineses.

Cópia chinesa 

Na língua chinesa tem mais de um ideograma para definir cópia.
Um para cópias perfeitas, que são consideradas quase obras de arte.
Outro para cópias mal feitas. etc.

Os soldados em terracota, que vieram para cá no ano passado, por exemplo, eram cópias respeitadíssimas na China.
Aqui mereceram a mesma consideração.

O pequeno detalhe é que, aqui, evitou-se tocar no assunto.
A maior parte das pessoas achava que estava diante dos "originais".

Qual seria a reação dessas pessoas se soubessem que estavam admirando e elogiando cópias?

Será que os autores originais se rebelaram no túmulo?

Colaboração do Kuja:
Diferente dos ocidentais, países orientais como a China desenvolveram, ao longo dos séculos, uma espécie de "cultura da cópia", pois eles vêem o tempo como cíclico. Por exemplo, os prédios antigos podem ser reformados sem causar prejuízo à originalidade da construção...

A cópia ganhou uma conotação bem negativa no ocidente. Além de ser atividade de pessoas sem criatividade, virou crime.

O pior é que os novos paladinos da justiça não estão defendendo a originalidade, e sim o direito do autor. O próprio princípio foi corrompido.

8/17/2004

Rap na Record 

Teve Cobra, Cachorrão, clip do Super Billy, MV Bil, gente lembrando do Sabotage.
Tudo rápido e rasteiro.

A grande marcada da noite foi querer tirar todo o crédito do Mano Brown ao dar a entender que o fato dele ter sido preso com maconha contradiz tudo o que ele é, fala, faz e representa.

O que, por sinal, talvez só confirme o que as letras de rap não se cansam de lembrar: a polícia não da descanso para quem é preto, pobre e vive na favela.

8/09/2004

La 

De manhã, todo mundo sai de casa.
Independente do que cada um vai fazer, todos rezam para voltar no fim do dia.

J 

J parecia não ter dom para o crime. Tinha medo. Sonhava em casar, ter filhos e voltar todos os dias para casa.
Quando o irmão morreu, começou a mudar de idéia.
Aos poucos, a vingança foi se tornando uma obsessão.
Aos poucos, também, começou a sonhar com outras coisas: tênis, moto, viagens, dinheiro.
Um dia decidiu: ia atrás do pé de pato que matou o irmão.
Dizia que evitava andar armado para não fazer besteira. Não queria matar à toa.
Num dia de maio, acabou morrendo.
Durante um assalto fez a coisa errada... vacilou e levou a pior.

8/02/2004

Continuando... 

Um desses "salvadores de pobres" (no bom sentido, é claro) me falou que o hip hop não é legal, os caras continuam no crime, não fazem nada de significativo para a comunidade, etc etc.

As perguntas que ficam no ar:
1 - e o exemplo que centenas de rappers estão dando para milhões de jovens, ao mostrar que dá para ganhar $ fora do crime? dá para fazer sucesso? (vale lembrar que os rappers - inclusive o Mano Brown, que já ganhou muito dinheiro - continuaram a morar na periferia, ao contrário dos jogadores de futebol, pagadoeiros etc etc)
2 - e a auto-estima, que esses caras estão ajudando a fortalecer, ao valorizar quem vive no gueto?
3 - e as posses, que vários rappers mantém na periferia?
4 - e as letras das músicas que levam milhões de pessoas a refletir sobre a favela, o futuro, a atração e os perigos do crime, etc e tal?
5 - e os empregos gerados (transporte, produtores etc etc.) na favela?

O hip hop nasceu no gueto, cresceu no gueto e não depende da boa vontade de ninguém. Até porque, as gravadoras só investem se acharem que vai dar retorno.

Quem faz, quem faz... 

Os nomes mudam: instituição, ONG, casa de apoio e por aí vai.
Os métodos mudam. Os objetivos, a visão... tudo muda.
Sempre tem a cara do dono.

Fico pensando... E quando os responsáveis por esses "projetos" morrerem ou desistirem da missão de "salvar" o mundo? O que vai ser das milhares de crianças? Das casas? De tudo o que foi investido?

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